Um regresso ao Jardim

 

O Jardim das Hespérides, à semelhança do reino de Avalon, é a nossa dimensão mítica ibérica. É a esta Península, outrora também conhecida por Hespéria, no centro da qual existe o Maciço Hespérico, que aludem as mais antigas referências à localização deste Jardim paradisíaco.

 

Trata-se da dimensão da Deusa entre nós, e a sua energia, tal como acontece na Ilha Sagrada de Avalon, é mantida por Nove Irmãs, as Nove Irmãs do Poente, guardiãs da sabedoria e dos segredos da Imortalidade. Na memória coletiva esta época permanece como a Idade de Ouro da humanidade.

 

Num plano histórico, trata-se de reminiscências das antigas culturas matrifocais, centradas nos valores da Mãe, que por milénios viveram de forma pacífica, sustentável, inclusiva, igualitária, próspera e abundante, cultuando com exuberância a Grande Deusa, cujo corpo era visto e reconhecido na própria natureza.

 

Podemos ainda ver o nosso Jardim como um Reino de Mulheres, e de Homens de boa vontade, vivendo em parceria, herdeiras da antiga sabedoria atlante, a que o herói patriarcal Hércules pôs fim no âmbito de um dos seus famosos Doze Trabalhos, matando o dragão que guardava as Irmãs do Poente. Só que nestes tempos de mudança o dragão, ou a serpente, renasce…

 

É minha convicção que reclamar para nós a dimensão mítica do Jardim das Hespérides é reconectarmo-nos com a nossa tradição mais genuína e é abrirmo-nos a receber a inspiração, a força e a sabedoria das antigas Sacerdotisas da Deusa do nosso território.