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  • Luiza Frazão

O DIA DO LABIRINTO - UMA EXPERIÊNCIA DO EQUINÓCIO DE OUTONO

Atualizado: 10 de out.


Foi por Mabon do ano de 2015, e eu ainda estava a viver em Glastonbury - só regressei pelo Samhain, no princípio de Novembro desse mesmo ano. A ideia para esta actividade partiu da Sacerdotisa Luna Silver, os cristais que utilizámos eram maioritariamente da Sacerdotisa Mandie, mas o trabalho foi de todas nós. Lembro-me de das três, mas haveria mais Sacerdotisas envolvidas, como Zindra, da Suécia, que na altura também vivia em Glastonbury.

No chão do Goddess Hall, criámos um magnífico Labirinto, usando fios de lã, cristais, imagens da Deusa, pequenos ramos de árvores e de arbustos com frutos da época, que também abunda neste tempo no campo inglês, e na entrada havia várias drusas de tamanho impressionante, em particular as duas guardiãs da entrada. No centro, foram colocadas várias pedras mais pequenas, como pontas de cristal e outras, uma vela que foi acesa quando o Labirinto foi aberto, e uma imagem da Deusa. A actividade iria decorrer durante todo o dia, ou pelo menos toda a tarde, com o e espaço aberto para quem quisesse passar por lá e fazer, em devoção, o percurso do Labirinto. Não me recordo com precisão da hora a que acabámos de criá-lo, mas terá sido no final da manhã.


A Luna tinha levado uma grande panela de sopa, que nos serviu de almoço, e tudo nessa experiência foi absolutamente magnífico. A sopa foi reaquecida no fogão da cozinha, e a Ivy, filha da Luna, que teria uns 7 ou 8 anos na altura, também fazia parte do grupo. Lembro-me de estar sentada num dos sofás, mantendo o espaço, e ao mesmo tempo praticando uma das nossas artes de mulheres, daquelas actividades sagradas das mulheres que criam a teia da vida – tal como tantas das actividades dos homens têm o mesmo propósito, claro. Mas então, lembro-me de estar sentada no sofá com a pequena Ivy ao meu lado e de ali lhe ter ensinado técnicas básicas do croché.


Recapitulando, foi isso, criámos o labirinto pela manhã e ele acabou por ser aberto à tarde. A guardiã da entrada era a Mandie, que estava com o seu cajado de poder, com uma capa e, se bem me lembro, usando máscara. Em silêncio, ela introduzia cerimonialmente as pessoas na estrutura criada. Não havia nenhuma explicação, nenhum tipo de contextualização, porque o labirinto é uma ferramenta espiritual bem conhecida e muito usada em Glastonbury, onde o mais famoso de todos é aquele que existe nas encostas do próprio monte do Tor. Ali, as pessoas simplesmente entravam, introduzidas pela Sacerdotisa guardiã, e faziam aquele percurso sagrado, que ainda era grande, já que ocupava uma boa parte do chão do Goddess Hall. Era um Labirinto de sete voltas, o modelo cretense.

Existem fotos dessa cerimónia que criámos no chão do Goddess Hall de Glastonbury nesse dia de Outono de 2015, várias, mas nenhuma consegue reproduzir a sensação, a emoção de vermos nitidamente a energia viva e pulsante daquela estrutura que fora ali apenas desenhada no chão. Nunca esquecerei a magnitude dessa cerimónia. Quando o labirinto foi aberto, a vela do centro acesa, passado um tempo, a vibração era nítida, ele era uma entidade viva, repleta dessa subtil vitalidade gerada por ele mesmo, enquanto arquétipo e ferramenta espiritual e, claro, pelos cristais que foram usados na composição das suas voltas, bem como pelas representações da própria Deusa e pela vegetação, bagas e frutos de outono, dos quais recordo em particular as minúsculas maçãs da pequena macieira que existe logo à entrada do jardim desse belo espaço.


Uma marca indelével foi deixada na minha alma por esta vivência. E não apenas na minha, porque por estes dias, quando planeava exactamente escrever sobre o tema, reparei que alguém me identificara numa publicação numa rede social: era a Mandie publicando as fotos do nosso Dia do Labirinto, e os comentários que se seguiram exprimiam exactamente a emoção de quem participou de alguma forma na experiência. Tratou-se dum acontecimento absolutamente único e maravilhoso, em que pudemos receber as bênçãos da Mãe Terra como Senhora do Labirinto de Mabon, que nos fala de equilíbrio, sendo esta precisamente uma ferramenta espiritual, cuja origem se perde no tempo, criada para nos ajudar a restabelecê-lo nos nossos corações e nas nossas vidas.


©Luiza Frazão




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